Simples Nacional: como funciona e quando sair | Vallorize
Regimes tributáriosLeitura de 8 minAtualizado em 10/08/2026

Simples Nacional: como funciona e quando deixa de compensar

Simples no nome, nem sempre na conta. O regime unifica tributos numa guia só, mas a alíquota sobe conforme a empresa cresce, e existe um ponto em que ele passa a custar mais que os outros.

+R$ 200 milhões recuperados+R$ 1 bilhão gerenciado+10 anos no agro

O Simples Nacional foi criado para resolver um problema real: reduzir a burocracia de quem não tem estrutura para lidar com várias guias e apurações separadas. Ele cumpre isso bem.

O que ele não promete, e muita gente assume, é ser sempre o mais barato. Conforme a empresa cresce, a alíquota sobe por faixa, e existe um ponto em que outro regime passa a custar menos. Descobrir esse ponto é uma conta, não uma opinião.

Como funciona a guia única

O regime reúne tributos federais, estaduais e municipais em um recolhimento só, o DAS, com vencimento mensal. Em vez de apurar cada tributo separadamente, a empresa aplica uma alíquota sobre a receita do mês.

Essa alíquota depende de duas coisas:

  • O anexo, definido pela atividade da empresa
  • A receita bruta acumulada dos últimos 12 meses

O segundo ponto é o que costuma pegar. A alíquota não é fixa: ela sobe por faixa conforme o acumulado cresce. Empresa que faturou bem no ano passado começa o ano seguinte numa faixa mais cara.

Quem pode optar

Requisito Regra
Porte Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte
Faturamento até R$ 4,8 milhões por ano
Situação fiscal sem débitos tributários ou trabalhistas em aberto
Atividade precisa constar na lista de atividades permitidas
Sociedade sem sócio no exterior e sem participação de outra pessoa jurídica

Ficam de fora instituições financeiras, empresas com sócio no exterior, quem tem débito em aberto e quem ultrapassa o teto.

O ponto em que deixa de compensar

Três sinais indicam que vale refazer a conta:

A empresa subiu de faixa e a alíquota acompanhou. Nas faixas superiores, o Simples frequentemente custa mais que o Lucro Presumido para a mesma operação.

Você vende para outras empresas. Aqui está o ponto mais importante e o menos comentado. No regime unificado, o crédito que a sua nota gera para o cliente é limitado. Se o seu concorrente está num regime que transfere crédito integral, a sua mercadoria fica efetivamente mais cara para o comprador, mesmo com o preço igual na nota. Você perde negócio sem entender por quê.

A operação compra muito. No Simples não há aproveitamento de crédito das aquisições. Empresa com custo de compra alto deixa dinheiro na mesa todo mês.

O que muda em 2027

Com a Reforma, o Simples ganha uma decisão nova. A empresa passa a poder escolher entre:

  • Regime unificado, como sempre foi, com IBS e CBS dentro do DAS
  • Regime híbrido, mantendo a maior parte no DAS mas apurando IBS e CBS por fora, no modelo regular de débito e crédito

A vantagem do híbrido é gerar crédito integral para os clientes pessoa jurídica, o que recupera competitividade. O custo é desembolso maior e mais complexidade.

A regra prática: se você vende para empresas que aproveitam crédito, o híbrido merece uma simulação. Se vende para consumidor final, o benefício se perde e sobra só o custo.

Escrevemos um guia completo sobre essa decisão, com prazos e critérios, em Simples Nacional híbrido.

As alíquotas de referência do IBS e da CBS seguem em regulamentação e podem variar até o lançamento oficial definitivo.

Vantagens que continuam valendo

Para ser justo com o regime, ele entrega:

  • Uma guia só, com menos obrigações acessórias
  • Recolhimento sobre o que foi efetivamente recebido no mês
  • Carga menor nas faixas iniciais
  • Estrutura contábil mais barata de manter

Para empresa pequena, com margem boa e clientes pessoa física, costuma ser a melhor escolha por bastante tempo.

Como decidir sem chutar

  1. Levantar a receita acumulada dos últimos 12 meses e identificar a faixa atual
  2. Calcular o desembolso efetivo no Simples hoje
  3. Simular o mesmo período no Presumido e no Lucro Real
  4. Somar o crédito que se perde nas compras
  5. Verificar quanto do seu faturamento vem de clientes que aproveitam crédito
  6. Refazer a conta antes da janela de opção

Onde a Vallorize entra

Fazemos essa simulação com os dados reais da empresa. Somos especialistas em agronegócio, com mais de 10 anos atendendo revendas e indústrias do setor, mais de R$ 200 milhões recuperados em créditos tributários e mais de R$ 1 bilhão em faturamento acompanhado, em 11 estados. Sempre 100% dentro da lei.

Perguntas frequentes

Qual o limite de faturamento do Simples Nacional?

R$ 4,8 milhões de receita bruta em 12 meses. Existem sublimites estaduais que afetam a forma de recolhimento de parte dos tributos.

A alíquota do Simples é fixa?

Não. Ela varia conforme o anexo da atividade e sobe por faixa conforme a receita acumulada dos últimos 12 meses cresce.

Empresa no Simples gera crédito para os clientes?

No regime unificado, de forma limitada. É por isso que a Reforma criou a opção híbrida, que permite apurar IBS e CBS por fora e gerar crédito integral.

Quando posso optar ou sair do Simples?

A opção tem janela definida, em geral em janeiro. A saída pode ser por escolha, na janela, ou automática, quando a empresa ultrapassa o teto.

Vale a pena sair do Simples antes de bater o teto?

Em muitos casos, sim. Nas faixas superiores o desembolso costuma superar o de outros regimes, e a perda de crédito para os clientes pesa na competitividade.

Sobre este conteúdo. Texto informativo, escrito com base na legislação vigente em 10/08/2026. As normas citadas estão indicadas ao longo do artigo, para consulta direta na fonte oficial. Regra tributária muda, às vezes com efeito retroativo, então confirme a vigência antes de decidir. Nada aqui substitui a análise da apuração e dos documentos da sua empresa, que é o que define o que se aplica ao seu caso.

O Simples ainda é o mais barato para você?

Comparamos o seu desembolso atual com o dos outros regimes, usando os números reais da empresa. Se o Simples for o melhor, dizemos isso também. O diagnóstico inicial é gratuito.

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